ODONATA FABRICIUS, 1793
A palavra vem do grego odous (dente) e gnathos (mandíbula), em referência ao aparelho bucal mastigador robusto. São popularmente conhecidos como libélulas, lavadeiras, cavalinho-do-diabo ou donzelinhas.
São insetos de grande porte, medindo de 15 a 210 mm, com até 180 mm de envergadura. Possuem cabeça móvel com olhos enormes, antenas curtas e finas, tórax inclinado com pernas anteriores voltadas para a frente (adaptadas para capturar presas em voo) e dois pares de asas alongadas, com venação densa. O abdômen é longo e cilíndrico. Apresentam cores vistosas, muitas vezes metálicas.
Têm desenvolvimento incompleto (hemimetabolia), com fase aquática (larvas) e fase terrestre (adultos). As larvas vivem em ambientes de água doce e possuem um lábio modificado em forma de máscara preênsil para capturar presas. Os adultos são exímios voadores, capazes de atingir até 70 km/h.
São encontrados em todo o mundo, exceto na Antártida, com maior diversidade nos trópicos. Há cerca de 6.340 espécies descritas no mundo. O Brasil é o país com a maior riqueza da ordem: quase 920 espécies, distribuídas em 15 famílias. Estima-se que esse número possa chegar a 1.500.
Alimentam-se de outros insetos, tanto na fase larval quanto na adulta. A reprodução envolve um comportamento único: o macho prende a fêmea pela cabeça (ou pelo tórax) com os apêndices caudais, e a fêmea curva o abdômen para alcançar a genitália do macho, formando a posição de “roda”. A oviposição pode ser dentro de tecidos vegetais (endofítica) ou diretamente na água (exofítica).
São importantes bioindicadores da qualidade de ambientes aquáticos e predadores de níveis intermediários na cadeia alimentar. Não causam prejuízos significativos à saúde humana ou às atividades econômicas, com poucas exceções. Por seu apelo visual e comportamental, são modelos frequentes em estudos ecológicos, evolutivos e de conservação, além de estarem presentes em diversas manifestações culturais.
