DIPTERA LINNAEUS, 1758
A palavra vem do grego di (duas) e pteron (asa), em referência ao único par de asas funcionais que esses insetos possuem. O segundo par é reduzido a estruturas chamadas halteres, que atuam no equilíbrio durante o voo.
Os dípteros estão entre as quatro ordens megadiversas de insetos. São conhecidos popularmente como moscas, mosquitos, pernilongos, mutucas, borrachudos, maruins, varejeiras e muitos outros nomes, dependendo da família e da região do país.
Atualmente, há mais de 159 mil espécies descritas no mundo. No Brasil, são registradas cerca de 11,8 mil espécies, distribuídas em mais de 100 famílias. Estima-se que esse número seja bastante inferior ao total real, especialmente em um país de dimensões continentais com áreas ainda pouco exploradas.
Os adultos têm um par de asas membranosas e peças bucais sugadoras, que podem ser perfurantes (em espécies hematófagas) ou lambedoras (em espécies que se alimentam de líquidos expostos). As antenas variam muito: podem ser longas e multiarticuladas (nos grupos mais basais) ou curtas, com um estilo ou arista (nos grupos mais derivados). O tórax é dominado pelo mesotórax, que abriga a musculatura do voo.
As larvas são ápodes (sem pernas) e ocupam praticamente todos os tipos de ambiente: aquático, solo, matéria orgânica em decomposição, tecidos vegetais (como minadores, galhadores ou brocadores) e até tecidos animais vivos (causando miíases). Há espécies parasitoides, predadoras e saprófagas. O desenvolvimento é do tipo holometábolo, com pupa frequentemente formada dentro do último tegumento larval (pupário).
A ordem tem enorme importância ecológica e econômica. Muitas espécies são vetoras de doenças como malária, dengue, febre amarela, leishmanioses e doença do sono. Outras causam prejuízos à agricultura, como as moscas-das-frutas (Tephritidae) e os mosquitos galhadores (Cecidomyiidae). Por outro lado, atuam como polinizadores de culturas como mandioca, cacau e manga, além de serem predadores naturais de pragas. Na entomologia forense, são utilizados para estimar o tempo de morte em investigações criminais. Há ainda espécies empregadas na terapia larval, para limpeza de ferimentos, e modelos genéticos clássicos, como a Drosophila melanogaster.
