Insetologia não apoia o abate indiscriminado de nenhum animal, incluindo aranhas que são, em geral, animais benéficos que se alimentam de pragas indesejáveis. Porém, se o tiver feito, melhor é doar o seu exemplar para estudo, ser usado por profissionais e estudantes, do que ir para o cesto de lixo. Se tiver interesse em doá-lo, você pode fazer um envio para:
Antonio D. Brescovit
Lab. Esp. Coleções Zoológicas – Instituto Butantan
Av. Vital Brasil, 1500
05503-900 São Paulo – SP Brasil
Esta página não seria possível sem a ajuda do Dr. Brescovit que colaborou com muitas das identificações de aranhas neste site.
ARANEAE CLERCK, 1757
A palavra vem do grego aráchnē (ἀράχνη), que significa aranha. O nome está associado à figura mitológica de Aracne, uma artesã que desafiou a deusa Atena e foi transformada no animal, simbolizando paciência, criatividade e crueldade.
As aranhas são artrópodes quelicerados da classe Arachnida. Diferentemente dos insetos, apresentam o corpo dividido em duas regiões (tagmas): o cefalotórax (prossoma) e o abdômen (opistossoma), ligados por uma haste estreita chamada pedicelo. Não possuem antenas nem asas. No cefalotórax há oito pernas, um par de quelíceras (com presas inoculadoras de veneno) e um par de pedipalpos. No abdômen localizam-se as fiandeiras, estruturas que produzem a seda para a construção de teias, abrigos e casulos.
Ocorrem em todos os continentes, exceto na Antártida, ocupando praticamente todos os tipos de habitats terrestres. Há cerca de 40 mil espécies descritas no mundo, distribuídas em mais de 100 famílias, o que torna Araneae a segunda maior ordem de aracnídeos, atrás apenas dos ácaros. O grupo divide-se em duas subordens viventes: Mesothelae, que inclui a família Liphistiidae (aranhas asiáticas raras), e Opisthothelae, que reúne as infraordens Mygalomorphae (as caranguejeiras) e Araneomorphae (a maioria das aranhas tecedoras de teias).
Os tamanhos variam de menos de 0,5 mm (Patu digua) até 20 cm de envergadura (Theraphosa blondi). A maioria das aranhas tem oito olhos simples, dispostos em fileiras, mas há grupos com seis, quatro, dois ou mesmo sem olhos (como em espécies cavernícolas). As quelíceras são articuladas e podem ser ortognatas (paralelas) ou labidognatas (opostas). Os pedipalpos dos machos são modificados para a transferência de esperma. As pernas têm sete segmentos: coxa, trocânter, fêmur, patela, tíbia, metatarso e tarso, terminando em duas ou três unhas.
As aranhas são predadoras, alimentando-se principalmente de insetos e outros artrópodes. A digestão é externa: liquefazem as presas com enzimas digestivas antes de ingeri-las. A seda tem múltiplas funções: captura de presas, revestimento de abrigos, construção de casulos para ovos e até como linha de segurança durante deslocamentos.
Têm grande importância ecológica como controladoras populacionais de insetos. Apesar do medo que despertam, poucas espécies representam perigo real para o ser humano. Acidentes ocorrem principalmente em áreas urbanas, associados a condições precárias de habitação e à falta de informação sobre a biologia desses animais.
Uma das formas mais eficientes de se identificar aranhas é olhando o arranjo ocular. Tendo coletado a aranha em um frasco ou fotografado com nitidez seus olhos, você pode comparar com a tabela abaixo. Algumas aranhas semelhantes têm arranjos de olhos diferentes, algumas com arranjos semelhantes têm morfologia diferente.

